Nossa Senhora do Patrocínio

Origem da Devoção

A devoção à Virgem Maria sob a invocação Nossa Senhora do Patrocínio tem sua origem na festa do “Patrocínio de Nossa Senhora”. Chama-se “Patrocínio”, em liturgia, a festa em honra de algum santo para venerá-lo e venerando-o agradecer-lhe sua proteção, intercessão, patrocínio; não se confunde com a festa principal daquele santo, por isso mesmo é celebrada em dia diferente. Duas foram as principais festas de “patrocínio”. O patrocínio de Nossa Senhora e o patrocínio de São José. Digo foram, pois, como veremos, no calendário litúrgico atual não se celebram mais festas da referida classe.

Foi na Espanha e em seus extensos domínios onde se começou a celebrar esta festa concedida a pedido do rei Felipe IV, pelo Papa Alexandre VII na bula Praeclara Christianissimi, de 28 de julho de 1656. Liturgistas dignos de créditos afirmam que se concedeu a festa em ação de graças pelas vitórias obtidas pela Espanha contra os sarracenos e contra os hereges; porém no texto da citada Bula se expressa claramente o motivo da petição que é simplesmente dar graças a Santíssima Virgem pelos múltiplos benefícios, quae ab illa accepisse pro affectu profitetur (o Rei). No princípio celebrava-se a festa, em geral, no terceiro domingo de novembro.

A devoção a esta festa foi-se propagando, a exemplo da Espanha. Bento XIII, em 03 de agosto de 1725, mandou celebrá-la em todo o Estado Pontifício, no segundo Domingo de novembro; logo se foi concedendo a muitas regiões e Dioceses para um Domingo de novembro que assinalasse o Ordinário do lugar; também as muitas ordens religiosas como as três ordens franciscanas, a Companhia de Jesus etc.

Os fundamentos teológicos da festa do patrocínio expõe-nos Bento XIV em sua clássica obra De Festis, livro II, cap.13. No tempo de Bento XIV planejou-se uma tentativa de reforma do Breviário e do Calendário litúrgico, e no plano já completamente redigido suprimia-se a festa do patrocínio além de muitas outras; mas não foi do agrado do Pontífice e a reforma não foi aprovada. Foi Pio X quem levou a cabo uma grande reforma litúrgica, forçando as Dioceses a abandonarem seus calendários particulares para usarem o da Igreja universal, com acréscimo somente das festas estritamente próprias de cada Igreja particular. Assim, a partir de 1915, desapareceu de todos os calendários litúrgicos dentre muitas outras, a festa do patrocínio de Nossa Senhora, sendo celebrada, desde então, somente no lugar e onde é titular de alguma igreja consagrada.

Histórico da Igreja

Na Praça José de Alencar, Lado Norte (Rua Guilherme Rocha, 24 de Maio, Liberato Barroso, General Sampaio). Faz frente à Praça do Marquês de Herval pelo lado do norte, é modesta, regular em proporções, asseada e recomenda-se pela singeleza dos ornatos, que são todos de deslumbrante alvura. Não tem dourados. Externamente, a sua torre, esguia e fina, que se levanta pôr sobre a porta principal, dá-lhe ar alegre e atrativo. Em 1849 o cabo de Esquadra Fortunato José da Rocha, disparando um tiro contra o capitão Jacarandá, acertou no joelho do alferes Luís da França Carvalho, quem em ocasião conversava com dito capitão . França, vendo-se em perigo de vida, fez voto a N.S. do Patrocínio, se escapasse, iria erigir-lhe uma Igreja; e de feito no dia 2 de fevereiro de 1850 foi lançada a primeira pedra. Aquele oficial demorou-se pouco tempo em Fortaleza.

Os trabalhos da Igreja iam muito vagarosamente, de sorte que só ao fim de cinco anos foi que se levantou o travejamento da capela-mor. Apesar do auxílio de particulares e das Assembléias Provinciais pôr diversas vezes, os materiais que de ordem do Governo lhe foram dados no período da seca, só chegou a concluir-se devido aos esforços do cônego João Paulo Barbosa, atual vigário, Sociedade Auxiliadora dos Templos. A Planta foi fornecida pelo mestre Antônio da Rosa e Oliveira. Em 1855 foi concluído o travejamento da Capela-Mor, uma associação de fiéis construi a Capela-Mor à Nossa Senhora do Patrocínio 1859 -1860 e depois fundou uma irmandade; nessa capela celebrava o Padre Pompeu depois Senador Pompeu.

Em 15 de Outubro de 1879 a Capela foi elevada a Freguesia João Paulo Barbosa cônego, formado pelo Seminário da Prainha implementou a construção do templo, fez o corpo da Igreja, ampliou a Capela-Mor, e fez o Altar-Mor de madeira; a obra só foi concluída entre 1896 e 1924 . Apresenta uma arquitetura simples no estilo românico e com ausência de decoração rebuscada e objetos de valor no seu interior. Durante muito tempo foi cartão-postal da cidade e rainha da praça. Em 1975 foram demolidas as escadarias laterais. Possui forro e Altar-Mor de madeira decorado com um grande afresco, cenas da via sacra em gesso circundando o templo e alguns vitrais. A praça José de Alencar anterior a 1870 se chamou do Patrocínio por causa da Igreja.