Televisão e Crianças

Notícia do dia 11/05/2010: Há muito tempo a mídia televisiva vem sendo alvo de fortes críticas por conta dos abusivos conteúdos exibidos em horários nobres. São novelas, seriados, filmes e reportagens que atraem cada vez mais o público jovem e infantil, fazendo com que eles absorvam de forma negativa o conteúdo das mensagens. Na última semana, uma pesquisa realizada pela Universidade de Montreal, no Canadá, trouxe de volta outra grande polêmica em torno da tecnologia: a televisão de fato emburrece as crianças?

O tema, sempre no centro das polêmicas sobre a criação dos filhos, e que já virou hit musical na voz dos Titãs (“a televisão me deixou burro muito burro demais”) é alvo de vários estudos científicos sobre os malefícios que pode provocar na vida dos pequeninos. A pesquisa foi realizada com 1.314 crianças nascidas entre os anos de 1997 e 1998 e com idades entre 2 anos e meio e 4 anos meio, até chegar aos 10 anos completos.

Desenvolvimento cognitivo das crianças é prejudicado:

A avaliação se deu por intermédio dos relatos dos pais sobre a quantidade de horas que os filhos passavam em frente à TV e pela estimativa acadêmica deles, suas relações psicosociais e seus hábitos de saúde realizada pelos professores. Os dados revelaram que em média, as crianças com 2 anos de idade assistiam à TV cerca de 8,8 horas por semana. Já as de 4 anos, um total de 15 horas por semana.

De posse dessas informações, os pesquisadores descobriram que os pequenos que passavam mais tempo em frente à televisão tinham pior desempenho em matemática, consumiam mais lanches com junk food e sofriam mais de bullying – agressão física e/ou psicológica entre crianças e, principalmente, adolescentes, geralmente ocorrida na escola – por parte de outras crianças.

Essas evidências levaram cientistas a concluir que a televisão prejudica o desenvolvimento cognitivo das crianças e, que sendo assim, o governo canadense deveria impor uma lei para limitar a quantidade de horas que as elas passam em frente ao aparelho.

Países já recomendam que pais não submetam crianças a TV:

Nos EUA, pediatras já recomendam que os pais não submetam crianças com menos de 2 anos de idade a nenhum programa televisivo e que as mais velhas, se forem assistir, que passem apenas duas horas diárias de seu tempo vendo tv. Na França, a proibição já existe. Certos programas são totalmente vedados para crianças com menos de 3 anos e na Austrália, a recomendação é para que crianças dessa faixa etária, estendendo-se até os 5 anos, não assistam a mais de uma hora diária.

Pré-escolar, uma fase importantíssima na vida da criança:

Os pesquisadores concluíram ainda, que o pré-escolar é uma das fases mais valiosas para o desenvolvimento do cérebro, portanto, o tempo gasto em frente à TV seria um grande desperdício. Além disso, nessa faixa etária é difícil para a criança separar o real do imaginário, bem como ter uma visão crítica das coisas, sendo assim, por intermédio da televisão ela pode vir a adquirir hábitos ruins ou desenvolver uma personalidade diferente das que não foram submetidas aos programas televisivos. Esses impactos podem, segundo especialistas, influenciar a criança por toda a sua vida.

O outro lado da moeda:

Se por um lado, a televisão prejudica o desenvolvimento crítico das crianças, por outro, pode ajudar alunos a entender melhor o universo das disciplinas. Atualmente, instituições americanas de peso têm procurado administrar o conteúdo de suas aulas juntamente com séries televisivas como forma de confrontar os capítulos com as matérias. Sendo assim, a Metafísica está sendo trabalhada nas inspirações do seriado Lost e na nova geração dos episódios de Jornada nas Estrelas, a literatura no seriado “Os Simpsons” e Sociologia em “The Wire”, entre outros.

Professor do Rochester Institute of Technology, de Nova York, Amit Ray foi um dos primeiros a introduzir um produto televisivo em suas aulas. A conclusão do professor, de “que as séries não têm um sentido exemplar de dramaturgia, mas mostram de forma prática assuntos mais sérios” se espalhou pelo país e agora faz sucesso entre as universidades.

O fenômeno foi considerado tão positivo que já está sendo replicado na Espanha. Um dos exemplos vem da Universidade Autônoma de Madri, que por intermédio do professor de filosofia contemporânea Ivan de los Ríos, utiliza “Família Soprano” para ensinar ética nos negócios.

E você, o que pensa sobre a televisão? Ela emburrece ou ajuda?


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